Combate à corrupção deve ser vigoroso na SADC

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Texto: Brígida da Cruz Henrique

Os líderes dos Estados–membros da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) declararam 2018 como o ano de anti-corrupção, conhecidos os efeitos devastadores desse fenómeno global sobre a economia, política, crescimento e desenvolvimento social.

Mas é altura de se declarar década de combate à corrupção na região e em África, de modo a mudar o comportamento perante o fenómeno, defendeu há dias o director da Comissão Económica da União Africana (ECA) para o escritório regional da SADC, Said Adejumobi, durante uma capacitação de 50 jornalistas desta região.

O workshop tinha em vista fornecer habilidades aos jornalistas da região de modo a reportarem a corrupção sem medo; monitorar os direitos democráticos e abuso de poder, com recurso ao jornalismo investigativo; desenvolver capacidades e habilidades de modo a que a imprensa possa investigar e relatar a corrupção de forma imparcial; prestar atenção aos princípios básicos do bom jornalismo  investigativo, a exemplo de avaliar as fontes, verificação de informação, entre outros elementos.

Touria Prayag, editora-chefe do semanário “Maurícias”
Touria Prayag, editora-chefe do semanário “Maurícias” e líder da Rede Regional de Jornalistas para o Combate à Corrupção – SADC

Touria Prayag, editora-chefe do semanário “Maurícias” e líder da Rede Regional de Jornalistas para o Combate à Corrupção, reconhece a existência em todos os países da SADC de instituições

vocacionadas para o combate à corrupção, mas isso só não basta. É necessário que elas se façam sentir, no sentido de desenraizar o fenómeno nas comunidades.

Segundo a fonte, em alguns países da região imperam o nepotismo, o amiguismo na nomeação a cargos de direcção e chefia, para proteger quem nomeia.

“Os jornalistas devem combater essa e outras práticas corruptas através do exercício do jornalismo investigativo, coerente e ético. Mas as histórias sobre a corrupção são arriscadas, perigosas, demoradas, com as fontes propositadamente desinteressadas porque a busca da verdade requer investigação”, referiu.

“E sem contar com a intimidação, as leis tornam ainda difícil a pesquisa jornalística. Jornalistas que já relataram os pecados dos ‘poderosos’ pagaram bem caro”, anota a jornalista mauriciana, que está ciente de que cada país tem suas próprias leis de protecção dos jornalistas, mas a “receita” é a mesma.

Depois de criticar os envelopes que caem nas redacções, minando a liberdade de imprensa, Said Adejumobi recorda que esta é um direito inalienável e inegociável dos profissionais da comunicação social, que deve fazer parte dos direitos democráticos dos cidadãos.

“A comunicação social deve ser capaz de fazer seu trabalho com profissionalismo e com ética de modo a ajudar o Estado e a sociedade a trilharem em direcção certa rumo ao desenvolvimento”, refere.

Segundo ele, a mídia não é apenas o quarto poder, mas uma importante voz disseminadora de informação e educação sobre a corrupção.

“É a mídia quem molda a realidade social através das opiniões, visões e percepções que produz. Por isso ela é poderosa na sociedade, por ser formadora de opinião crítica”, defende.

Como reporta uma revista on-line, “África é o único lugar onde o corrupto vaga livre e orgulhoso”, por isso Said Adejumobi chama atenção aos jornalistas para aprimorarem as suas técnicas de investigação, reconhecido o seu papel na luta contra a corrupção no mundo e na África Austral, em particular, onde os líderes declararam o ano 2018 como o de anti-corrupão.

“Mas eles deveriam ter declarado uma década de anti-corrupção em África, porque a corrupção tem efeitos devastadores sobre a economia, política, sociedade, crescimento e desenvolvimento. Incapacita a eficiência do Estado, leva à má prestação de serviços, promove a mediocridade e clientelismo na vida pública e sonega talento e inovação de milhões de profissionais motivados”, sugere Said Adejumobi.

Leopold-Auguste Ngomo
Leopold-Auguste Ngomo, do Escritório Regional da União Africana da África Austral (AU-SARO)

Recorde-se que a Conferência Regional sobre a Corrupção e o Desafio da Transformação Económica na África Austral, realizada em Gaberone em Junho, deliberou a criação de quatro redes regionais de combate à corrupção, que devem entre autofortalecer-se, construir coligações, parcerias e colaborar na luta contra o fenómeno, facilitar a partilha de recursos, conhecimentos e experiências, entre outras tarefas. Na semana passada, foi oficializada a rede de jornalistas de combate à corrupção na SADC.

Para melhor desempenhar as suas funções de divulgar e partilhar matérias relacionadas com o combate à corrupção e outras, os cerca de 50 jornalistas receberam computadores e tablets do patron da iniciativa da formação, Leopold-Auguste Ngomo, do Escritório Regional da União Africana da África Austral (AU-SARO), que acentuou que os instrumentos devem ser usados para a actividade para a qual foram alocados.

Na África do Sul, foi oficializada rede de jornalistas da SADC de combate à corrupção, iniciativa que se espera partilhe experiências, melhores práticas e habilidades, organize programas de treinamento e protecção, lute pela liberdade de imprensa e acesso à informação, entre outras acções.

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